"...nem todos os dias são dias de olhar feliz. Estes dias raramente nos são oferecidos (daí o seu mistério) e quase sempre têm de ser construídos, desenhados, conquistados. Nesta procura do sentir a alma plena dos reflexos doces destes dias de olhar feliz, a vida, a nossa vida, mistura dor e alegria, sofrimento e felicidade, desilusão e sonho, amargura e paixão, choro e riso, ódio e amor. Assim, quando nessa busca constante O vento te rugir e a chuva cair em massa, quando o céu te fugir e sentires o teu amor em desgraça, quando o arco-íris te mentir e a sua recordação ficar laça, lembra-tedo brilho divino que vislumbraste nesta promessa de amor eterno….Lembra-te Que o vento, a chuva, o cinzento do céu, o arco-íris, as tuas lágrimas, as tuas duvidas, todos eles fazem parte do mistério da vida. Lembra-te Como Pessoa, que: “O mistério das cousas? Sei lá o que é o mistério. Único mistério é haver quem pense no mistério.”Aí ergue os teus olhos para o firmamento e procura devagar, em paz, o caminho de regresso ao vosso arco-íris de mãos dadas com o brilho intenso e mágico (quase irreal) da mais nova de todas as estrelas do céu..." LC21/06/97
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12/04/2011

12/04/2011
O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o princípio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.

Fernando Pessoa

05/11/2010

Recordar

05/11/2010
Faz dois anos que este foi o Mês da minha vida.
Novembro de 2008 marcou a concretização de um sonho, ou melhor DO SONHO!
A minha vida nunca mais foi a mesma, mudou incomparavelmente para melhor.
Eu sabia que a felicidade existe, mas agora tenho a oportunidade de a sentir todos os dias, mesmo que os dia tenha horas más, são sempre dias felizes, porque nunca são vazios, e é tão bom!

"Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver

Apesar de todos os desafios,

Incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas

E se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si,

Mas ser capaz de encontrar um oásis

No recôndito da sua alma.



É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um “não”.

É ter segurança para receber uma crítica,

Mesmo que injusta.



Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou

Construir um castelo ..."

Fernando Pessoa

27/04/2010

27/04/2010
"A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida."

Fernando Pessoa


Nunca mais aprendo a relativizar as coisas, eu sei que não é muito importante, que podia ser pior, mas os contratempos chateiam-me e muito. Bolas, bolas, bolas, mais um pneu que furou, e eu devia ter tido mais cuidado e não tive! Agora não posso fazer, a não ser tentar não ficar tão chateada, mas a verdade é que estou danada!

06/01/2009

Apeteceu-me

06/01/2009
Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis

nota:o blogger está com a mosca e formata mal o texto, seja.

29/08/2008

Quando é que o cativeiro

29/08/2008
Quando é que o cativeiro
Acabará em mim,
E, próprio dianteiro,
Avançarei enfim?

Quando é que me desato
Dos laços que me dei?
Quando serei um facto?
Quando é que me serei?

Quando, ao virar da esquina
De qualquer dia meu,
Me acharei alma digna
Da alma que Deus me deu?

Quando é que será quando?
Não sei. E até então
Viverei perguntando:
Perguntarei em vão.

Fernando Pessoa

nota:Bom fim-de-semana!

27/11/2007

Não digas nada!

27/11/2007
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

28/08/2007

Este homem era um sábio

28/08/2007
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
Fernando Pessoa

Faz tanto sentido não faz? A única coisa que ele não diz, é o quando, quando é que é o tempo da travessia. Qual será o sinal que nos indica que chegou a hora?
Acho que esse é que é o mistério, é isso que faz com que a nossa vida seja nossa, e não algo pré definido.

26/06/2007

Mensagem

26/06/2007
Deus

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.

Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.
Fernando Pessoa
Para algumas pessoas, por vezes é muito difícil não se sentirem Deus, donas da verdade e o centro do universo, olham à sua volta (pouco), e não percebem que algumas coisas na vida, são um privilegio e não um dado adquirido, mas, o ser bafejado pelo privilégio não faz de nós melhor que os outros!
Palavra leva-as o vento.
Saber de algo sobre alguém, e atirar a pedra, sabendo que vai doer é fácil, o difícil é saber se vai mesmo doer, não doeu tanto como eu cheguei a temer. Felizmente!
Quer apenas que saibas, que nada vou dizer, sobre ti!
Dorme tranquilamente, não te preocupes.
Preocupa-te apenas com aquilo que transmites aos teus descendentes, cuida para que o feitiço não se vire contra o feiticeiro, podias magoar-te e eu teria pena!

27/02/2007

Ainda o Fernando Pessoa

27/02/2007
Nos meus anos o meu marido ofereceu-me este livro:


Não fosse o livro do Fernando Pessoa, para eu o recomendar de imediato, mas além disso (que já não é pouco) é uma doçura de livro, transmite uma ideia bem diferente do nosso poeta, mais humano, mais comum, mas em nenhuma circunstância banal.
Para abrir o apetite deixo aqui um pequeno excerto:
“Meu Bebezinho lindo:
Não imaginas a graça que te achei hoje á janella da casa de tua irmã! Ainda bem que estavas alegre e que mostraste prazer em me ver (Alvaro de Campos).

Tenho estado muito triste, e além d'isso muito cansado - triste não só por te não poder ver, como tambem pelas complicações que outras pessoas teem interposto no nosso caminho. Chego a crer que a influência constante, insistente, habil d'essas pessoas; não ralhando contigo, não se oppondo de modo evidente, mas trabalhando lentamente sobre o teu espirito, venha a levar-te finalmente a não gostar de mim. Sinto-me já differente; já não és a mesma que eras no escriptorio. Não digo que tu propria tenhas dado por isso; mas dei eu, ou, pelo menos, julguei dar por isso. Oxalá me tenha enganado...

Olha, filhinha: não vejo nada claro no futuro. Quero dizer: não vejo o que vãe haver, ou o que vãe ser de nós, dado, de mais a mais, o teu feitio de cederes a todas as influencias de familia, e de em tudo seres de uma opinião contraria á minha. No escriptorio eras mais docil, mais meiga, mais amoravel.
Enfim...

Amanhã passo á mesma hora no Largo de Camões. Poderás tu apparecer á janella?
Sempre e muito teu
Fernando
27/4/1920 "

26/02/2007

A felicidade exige valentia

26/02/2007

Hoje recebi um email muito interessante sobre Fernando Pessoa aqui está:

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança par receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

29/01/2007

Autopsicografia

29/01/2007
A pedido de várias familias aqui vai:

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa/Bernardo Soares;
Publicado em 1 de Abril de 1931

26/01/2007

Eros e Psique

26/01/2007

Gosto muito deste texto do Fernandito, é um pouco diferente do normal da escrita dele, eu acho! Mas sempre que leio isto transporto-me para o mundo do sonho e da fantasia, e é tão bom.
Beijinhos e bom fim-de-semana






Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa
Publicado pela primeira vez in Presença, n.os 41-42, Coimbra, maio de 1934

27/10/2006

Pessoa, Fernando, Livro do Desassossego por Bernardo Soares

27/10/2006
“Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro. Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá; e é esta a razão íntima de todo o meu sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha mágoa é mais antiga.

Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a minha consciência do meu corpo, que sou a crianca triste em quem a vida bateu. Puseram-me a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Marco, às nove horas e dez da noite, a minha vida sabe a valer isto.

No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde pendem; estão enrolados muito alto; e assim nem a ideia de mim fugido pode, na minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.

Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu estado de alma neste momento. Como à veladora do "Marinheiro ardem-me os olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a brochura a descoser-se............”

FERNANDO PESSOA
Carta a Mário de Sá-Carneiro

19/10/2006

O Presente sem Passado nem Futuro

19/10/2006
Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho.
Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada.
Não tenho esperanças nem saudades. Conhecendo o que tem sido a minha vida até hoje - tantas vezes e em tanto o contrário do que eu a desejara -, que posso presumir da minha vida de amanhã senão que será o que não presumo, o que não quero, o que me acontece de fora, até através da minha vontade? Nem tenho nada no meu passado que relembre com o desejo inútil de o repetir. Nunca fui senão um vestígio e um simulacro de mim.
O meu passado é tudo quanto não consegui ser. Nem as sensações de momentos idos me são saudosas: o que se sente exige o momento; passado este, há um virar de página e a história continua, mas não o texto.

Fernando Pessoa, in 'Livro do Desassossego'


E as horas que não passam, os dias que se arrastam, e no final o que resta? só mais horas e mais dias que se arrastam.
Não gosto nada de esperar por melhores oportunidades, porque assim que olho para trás, vejo que deixei mais uma vez passar a "oportunidade", afinal era ali atrás estava a tal “boa oportunidade”.
E os dias que se arrastam....e que nunca mais chegam ao fim.

16/10/2006

“O mistério das cousas?"

16/10/2006
Ultimamente tenho escrito aqui sobre os sonhos, as esperanças as lutas e as contrariedades, que surgem ao longo dos dias.
Os dias de olhar feliz carregados de esperança e de alegria; e os dias negros e pesados, que nós fazem questionar e duvidar do sentido da vida.
Hoje faltam as palavras aliás falta-me tudo, não consigo imaginar sequer, a dor lancinante, a revolta e a impotência perante uma perda destas.
Hoje, brilham mais duas novas estrelas no céu.
Não consigo compreender o sentido destas perdas.
Não consigo aceitar sem questionar com revolta, porquê? Para quê?
Hoje nada faz sentido.
Perante a morte, a partida inesperada, o que já foi para longe antes de ter tido a oportunidade de ter estado aqui, é um mistério que não faz qualquer sentido, mas como Pessoa disse:
“O mistério das cousas? Sei lá o que é o mistério.
único mistério é haver quem pense no mistério.”
Se puder fazer algo que te ajude, dispõem.
Por agora vou tentar fazer a única coisa que penso que esteja ao meu alcance:
Vou continuar a acreditar, vou continuar a “inspirar-me” no teu exemplo de optimismo e de boa disposição.
Beijinho muito, muito grande para ti querida.

13/10/2006

e ainda o Fernandito

13/10/2006
Cansamo-nos de Pensar
Cansamo-nos de tudo, excepto de compreender. O sentido da frase é por vezes difícil de atingir. Cansamo-nos de pensar para chegar a uma conclusão, porque quanto mais se pensa, mais se analisa, mais se distingue, menos se chega a uma conclusão.Caímos então naquele estado de inércia em que o mais que queremos é compreender bem o que é exposto - uma atitude estética, pois que queremos compreender sem nos interessar, sem que nos importe que o compreendido seja ou não verdadeiro, sem que vejamos mais no que compreendemos senão a forma exacta como foi exposto, a posição de beleza racional que tem para nós.Cansamo-nos de pensar, de ter opiniões nossas, de querer pensar para agir. Não nos cansamos, porém, de ter, ainda que transitoriamente, as opiniões alheias, para o único fim de sentir o seu influxo e não seguir o seu impulso.

Fernando Pessoa, in "Livro do Desassossego"

25/08/2006

Tabacaria - Álvaro de Campos

25/08/2006

"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime."

Este bocadinho, deste grande (em todos os sentidos) texto do Álvaro de Campos, faz-me sempre pensar, todos temos uma mascara, e o problema de usar as mascaras esta aqui muito bem retratado, quando queremos tirar a mascara já não podemos, é uma pena não sermos mais sinceros e verdadeiros, principalmente connosco próprios.

22/12/2005

Desejos

22/12/2005


De acordo com a época natalicia, desejo a todos um Natal com muitas supresas boas.

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver,acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens."

(Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo")
 
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