"...nem todos os dias são dias de olhar feliz. Estes dias raramente nos são oferecidos (daí o seu mistério) e quase sempre têm de ser construídos, desenhados, conquistados. Nesta procura do sentir a alma plena dos reflexos doces destes dias de olhar feliz, a vida, a nossa vida, mistura dor e alegria, sofrimento e felicidade, desilusão e sonho, amargura e paixão, choro e riso, ódio e amor. Assim, quando nessa busca constante O vento te rugir e a chuva cair em massa, quando o céu te fugir e sentires o teu amor em desgraça, quando o arco-íris te mentir e a sua recordação ficar laça, lembra-tedo brilho divino que vislumbraste nesta promessa de amor eterno….Lembra-te Que o vento, a chuva, o cinzento do céu, o arco-íris, as tuas lágrimas, as tuas duvidas, todos eles fazem parte do mistério da vida. Lembra-te Como Pessoa, que: “O mistério das cousas? Sei lá o que é o mistério. Único mistério é haver quem pense no mistério.”Aí ergue os teus olhos para o firmamento e procura devagar, em paz, o caminho de regresso ao vosso arco-íris de mãos dadas com o brilho intenso e mágico (quase irreal) da mais nova de todas as estrelas do céu..." LC21/06/97

03/01/2006

A mim ninguém me cala!!!.

03/01/2006
Escreve muito bem, adorei ler este livro, quando a Inca teve que se ir embora, recordei muitas vezes este livro, pois era um conto de saudade, de uma saudade igual à que eu estava a sentir, por isto e mais algumas coisas (a sua poesia e ter o coração muito perto da boca) gosto dele, não gosto do camisola amarela, mas antes um bom poeta e escritor do que um mau presidente, não vou votar nele, no camisola amarela muito menos, mas nele não posso votar, porque a mim ninguém me cala!!!.

Cão como nós

Queria sempre estar connosco a sós. Ladrava ao carteiro, ao electricista, a quem quer que não fosse da casa. Cão exclusivista. Mas também actor. Quando havia visitas mudava de táctica. Com total perversidade, ele, que nunca prestava vassalagem a ninguém, escolhia uma vítima, aproximava-se devagar e encostava a cabeça a pedir festas, expressão de mágoa e súplica, como quem diz: "já que eles não mas fazem faça-mas você."

Teatro, puro teatro. Mas havia quem se deixasse levar. Uma amiga da casa chegou a dizer: "O cão anda triste, deve estar cheio de carências."

E ele enroscado na sala, a olhar de soslaio para nós, com ar de gozo.

Em momentos assim, até os meus filhos perdiam a cabeça. Então, quando as vítimas saíam, fechavam-no de castigo na cozinha. Causa perdida. Ele começava logo a uivar e a raspar.

(...)

- Fiteiro - disse eu numa dessas ocasiões.

-Como tu - retorquiu Joana, minha filha. - Tu também fazes fitas, pai, às vezes amuas para chamar a atenção ou para que a gente te dê mimos, o cão percebe isso tudo. E os manos fazem a mesma coisa. Até a mãe. O cão imita-nos a todos, tudo o que ele faz é para que se repare nele e se lhe dê mais carinho. Não é por ser cão que ele não tem sentimentos."

Cão como nós", pensei. Mas preferi calar-me. A minha filha era igual a mim, igual ao cão, igual aos outros. Nunca se deixaria vencer ou convencer. Por isso não lhe dei troco. Por comodismo. Como o cão, quando se ralhava com ele e ele fazia a parte que não ouvia e continuava a dormir ou a fingir que dormia, enroscado na sala sobre si mesmo.

Manuel Alegre - Cão como nós,

5 diga lá:

soniaq disse...

Olá Inca
Também li o livro e adorei, aconselhei-o a alguém que só lê livros técnicos que adorou também. Um hino ao companheirismo e num instantinho acaba.

Eu, pelo contrário vou votar nele, creio que uma pessoa com esta sensibilidade e tão alerta para os problemas poderá dar uma ajuda valiosa a este nosso Portugal.

E está na hora de termos pessoas com este valor nos mais altos postos do Estado.

Beijinho quida e não te quero influenciar, o voto é teu. Mas ainda bem que também gostas de ler o que o Manuel Alegre escreve. Saudações Alegres, eh, eh

Fernanda Carvalho disse...

Acreditas que a minha melhor amiga me ofereceu este livro no Natal??!?!?
Ainda não tive coragem para o começar a ler... mas há-de lá ir!
Beijocas grandes
~º(",)º~
Fernanda

Silvia Pedro disse...

Um livro lindo, sensível e de levar às lágrimas...eu pelo menos foi baba e ranho. Tocou-me mais ainda por saber o que é perder um amigo de 4 patas:(

IC disse...

Olá Silvia, tudo bem consigo? e com os seu meninos?
eu quando li o livro ainda tinha a minha Inca comigo por isso não senti muita tristeza, só recordei muito o livro em Abril deste ano;O(
beijinhos

Silvia Pedro disse...

Tudo bem com os meus malucos!:) A minha "sobrinha" de 4 patas - Maria Papoila é que faleceu no dia 31 e tem sido muito doloroso para todos...
Só consegui ler este livro 1 ano e meio depois da morte do meu cão Lucky, e mesmo assim....quantas lembranças:)

 
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